Como calcular o custo-hora de máquina numa gráfica pelo método RKW

Por que o custo-hora define a margem da gráfica
Todo orçamento de gráfica é, no fundo, tempo de máquina vezes custo-hora, mais papel, tinta e acabamento. Se o custo-hora está baixo, cada orçamento já nasce com prejuízo escondido. E o pior: quanto mais a gráfica vende, mais perde.
O RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichkeit) é o método de custeio pleno mais usado na indústria gráfica justamente porque não deixa nada de fora: até o salário do financeiro e a comissão do vendedor acabam distribuídos nas horas das máquinas.
Passo a passo do cálculo
1. Separe a gráfica em centros de custo
- Produtivos: onde o trabalho acontece. Pré-impressão, impressora offset, impressora digital, guilhotina, dobradeira, acabamento.
- Auxiliares (apoio): manutenção, almoxarifado, PCP, qualidade, expedição.
- Administrativos e comerciais: diretoria, financeiro, RH, vendas, TI.
Regra prática: máquinas com custo muito diferente viram centros separados. Uma digital pequena e uma offset de grande formato não podem dividir o mesmo custo-hora.
2. Levante os custos próprios de cada centro produtivo
Para cada centro, some o que é dele no mês:
- Mão de obra direta: salários dos operadores e ajudantes com encargos (férias, 13º, FGTS, INSS).
- Depreciação: (valor de reposição − valor residual) ÷ vida útil em meses.
- Energia elétrica da máquina.
- Manutenção e peças.
- Ocupação: parte do aluguel, IPTU e seguro proporcional aos m² que a máquina ocupa.
3. Faça o rateio em duas etapas (o coração do RKW)
- Auxiliares → produtivos: distribua o custo dos setores de apoio pelo uso de cada centro produtivo. Exemplo: manutenção pelas horas de manutenção de cada máquina; almoxarifado pelo volume de requisições.
- Administração e comercial → produtivos: distribua as despesas administrativas e comerciais por um critério estável, como a participação de cada centro nos custos próprios ou nas horas produtivas.
O critério de rateio precisa ser o mesmo todo mês. Mudar o critério a cada fechamento impede comparar custos e margens no tempo.
4. Calcule as horas produtivas reais
Hora disponível não é hora produtiva. A máquina para para acerto, manutenção, troca de chapa, falta de carga e reuniões.
- Horas disponíveis = dias úteis × turnos × horas por turno.
- Horas produtivas = horas disponíveis × eficiência real (apontada no chão de fábrica, não estimada).
5. Divida
Custo-hora = (custos próprios + rateio dos auxiliares + rateio de administração e comercial) ÷ horas produtivas
Exemplo: impressora offset 4 cores
Os valores abaixo são hipotéticos, para ilustrar o método.
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Mão de obra direta (2 operadores e 1 auxiliar, com encargos) | R$ 18.000 |
| Depreciação (máquina de R$ 3 milhões, residual de 20%, 10 anos) | R$ 20.000 |
| Energia | R$ 4.000 |
| Manutenção e peças | R$ 4.000 |
| Ocupação (área) | R$ 2.500 |
| Custos próprios | R$ 48.500 |
| Rateio dos centros auxiliares | R$ 9.000 |
| Rateio de administração e comercial | R$ 14.000 |
| Total do centro | R$ 71.500 |
Horas: 22 dias × 2 turnos × 8 h = 352 horas disponíveis. Com eficiência real de 70%, são 246,4 horas produtivas.
Custo-hora RKW = R$ 71.500 ÷ 246,4 h = R$ 290,18 por hora.
Agora compare com o atalho comum, que divide só os custos próprios pelas horas disponíveis: R$ 48.500 ÷ 352 h = R$ 137,78 por hora. Menos da metade. Uma gráfica que orça com R$ 138 está pagando para trabalhar.
Erros que mais distorcem o custo-hora
- Usar horas do relógio (24 h/dia ou 30 dias/mês) em vez de horas produtivas apontadas.
- Esquecer encargos da folha, que costumam somar bem mais da metade do salário.
- Deixar a administração fora do rateio. Isso é custeio parcial, não RKW.
- Um custo-hora único para a fábrica inteira, misturando máquinas de perfis diferentes.
- Não recalcular. Reajuste de folha, energia e aluguel, ou uma máquina nova, mudam o resultado.
- Confundir custo-hora com preço-hora. O preço ainda precisa de margem, impostos e comissão.
Com que frequência recalcular
No mínimo a cada seis meses e sempre que houver dissídio, reajuste relevante de energia ou aluguel, compra ou venda de máquina, ou mudança de turno. Na prática, quem calcula em planilha recalcula pouco, porque dá trabalho. É aí que o custo-hora envelhece e a margem some.
Onde entram os dados do ERP
As horas produtivas reais, o consumo por centro e os custos já estão, em boa parte, no ERP: apontamentos de produção, requisições de material, notas de entrada, folha. Quando o cálculo parte desses dados, e não de estimativas, o custo-hora deixa de ser opinião.
O Mapa de Custo, da SENSO IT, organiza os custos por centro de produção e calcula o custo-hora de cada máquina pelo método RKW, com rateio em duas etapas. Está em programa piloto, com lista de espera. Conheça o Mapa de Custo.
